terça-feira, 4 de maio de 2010

MUDANÇA DE POBRE

   Janeiro de 1974 aconteceu a nossa mudança de sobradinho para o guará. Pense numa situação que se não fosse comedia seria trágica.
   Numa manhã  de sábado, o Zé( hoje Zé Guará) estacionou seu ford toco caçamba verdão, pense numa mudança em um caminhão caçamba, e começou a grande aventura. Todos animados; Geraldo, Chico, Eu, as irmãs, enfim , tinha muita gente ajudando. Ai começou o carregamento, tudo para cima da caçamba; geladeira, fogão, comoda cama, colcão, antena de tv, etc... Ah!, panelas soltas, sem caixa alguma. Caminhão já estava lotado e não tinhamos colocado nem a metade da mudança, quando pensa que não, minha Mãe chega com os jarros de plantas, entre elas uma samambaia lindíssima, muitíssimo recomendado os cuidados com ela.Quando pensa que não, para minha surpresa, minha mãe manda que eu suba na caçamba para acompanhar e cuidar da carga.
    A princípio achei a idéia legal, mas quando subi já fiquei cabreiro, porque não tinha lugar para os meus pés. Motor ligado, partimos para aquela aventura.
     No início com o caminhão andando devagar achei que seria uma moleza, mas menino do céu, quando esse caminhão passava nos quebra-molas, era um verdadeiro Deus nos acuda, a carga balançava toda e me espremia entre o guarda roupas e a geladeira. Chegando na rodovia, já sem os quebra-molas, acabou os solavancos, agora tá beleza, pensei. 
      Menino, quando esse caminhão pegou a descida do colorado e ganhou velocidade, ai sim, começou um verdadeiro inferno. Tampa de panela voando, gavetas da comoda abrindo e eu segurando com um dos pés a porta da geladeira, com a mão esquerda segurava o colchão que queria passar por cima de mim. Com a mão direita eu segurava o estrado da cama, enfim, estava todo ocupado .
       Pensa que acabou, nada disso, o caminhão pegou a parte maior da descida e o bicho pegou, eu gritava para Zé parar e ele nem ouvia e de vez em quando tomava uma panelada na cara. Já estava cansado por causa do vento forte, e o fordão morro abaixo só esvaziando. Em certo momento, a porta do guarda roupas abriu e o espelho ficou batendo, meu Deus que loucura, eu com as mãos ocupadas, tentei fechar com a cabeça, quando estava quase conseguindo a antena de tv tombou de lado e um dos caninhos foi direto no meu ouvido,Jesus Cristo pára esse caminhão por favor, pedi em súplica. Quando pensa que não, o fordão voando baixo, as mãos e os pés ocupados e a cabeça segurando o espelho, eu me viro de lado e dou de cara nos ramos da samambaia. Imaginem aquelas folhas batendo na sua cara com a velocidade e o vento forte, os ramos entravam no nariz e no olho, não podia me mexer de jeito nenhum. A única coisa que podia fazer era esperar aquela descida terminar para eu poder respirar um pouco.
      Vocês não imaginam como essa samambaia ficou, nem uma folha sequer.
       Chegando no guará em frente da casa nova no conjunto E da QE 28, Zé desce da boléia e me faz a clássica pergunta,; Tudo bem ai? Te juro, nem dei conta de responder.
       E essa foi a nossa mudança...
  

2 comentários:

  1. Não tem uma foto da época não pra postar tb?? heheh

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  2. Que aventura! aposto que não se lembra do percurso. Imagina se tivesse um cachorro para cuidar, ai o bicho ia pegar.

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